Está na hora de derrubar o regime laranja!

Talvez muitos ainda não tenham percebido, ou simplesmente finjam que não querem entender, mas nos últimos anos a Madeira tem sido palco de um governo completamente desgastado, que não apresenta reformas nem inovação nos principais setores socioeconómicos e que apenas procura sobreviver para se manter agarrado, a todo o custo, à Quinta Vigia. No geral, a Madeira é controlada por um enorme polvo laranjista que, através dos seus numerosos tentáculos, consegue assegurar para si o domínio dos principais setores e instituições do arquipélago.


Neste artigo irei explicar, da forma mais simples possível, como começou este domínio, hoje liderado pelo PSD de Miguel Albuquerque, e de que modo podemos garantir que a Madeira tenha, ao fim de tantos anos, a renovação de que tanto necessita.


Tudo começou em 1976, quando a Madeira obteve o seu estatuto político-administrativo de região autónoma e se realizaram as primeiras eleições para a Assembleia Legislativa Regional, nas quais o PSD conquistou a primeira de muitas das suas maiorias absolutas. Desde então, a grande máquina partidária laranjista trabalhou para que nunca houvesse hipótese de a oposição chegar ao poder.


Começou pelo plano local: o PSD passou a dominar as Câmaras Municipais, as Juntas de Freguesia e as Casas do Povo, sendo estas últimas uma herança do corporativismo salazarista que o partido soube aproveitar muito bem. Assim, ficou com o monopólio das decisões locais e da escolha dos investimentos nas várias áreas. O aviso dado às populações era claro: ou votavam PSD ou não haveria, nem sequer por parte do governo regional, o devido investimento nos concelhos. Hoje em dia vê-se bastante essa realidade, especialmente nos concelhos que não são dirigidos pelo PSD e que sofrem com a falta de cooperação perante as suas necessidades e tradições.


Depois veio o plano socioeconómico: com a entrada massiva de subsídios da atual União Europeia, especialmente na década de 90, o PSD garantiu, juntamente com os seus aliados privados, o controlo dos principais setores da região: o setor energético, o setor habitacional, o mercado laboral e a mobilidade. Além disso, ao insistir em priorizar o setor terciário, especificamente o turístico, permitiu o colapso dos setores primário e secundário, principalmente no que toca à agricultura e à nossa atividade piscatória.


Por último, veio a estratégia da continuidade eleitoral: criar o medo para conquistar. Para preservar o seu poder e o dos seus aliados, o PSD recorreu à ameaça. Ou seja, o eleitorado continuava a votar PSD ou, caso contrário, podia perder regalias, seja no apoio laboral, na segurança social ou noutras áreas. Isto criou, tanto nas faixas etárias mais idosas como ainda nas mais jovens, receio de votar contra o PSD ou até simplesmente de o criticar. Aliás, uma das formas mais eficazes que o partido encontrou para garantir a lealdade dos jovens foi prometer emprego a quem entrava na JSD-Madeira.


Em suma, a governação laranjista no arquipélago tem inúmeras falhas, mas as principais são a falta de controlo da imigração, a falta de atenção ao desemprego jovem, à habitação, ao aumento do custo de vida e à mobilidade.


Para terminar, a única solução para termos finalmente na Madeira o progresso de que tanto necessitamos é o bravo povo madeirense romper as correntes laranjistas, deixar o medo de parte e acabar com este regime que só sabe desprezar os madeirenses. Só assim poderemos derrubar, de forma definitiva, o enorme polvo laranjista que corrompe e destrói a Madeira!