A inclusão de fachada nas escolas portuguesas
Num artigo da minha autoria, intitulado “O Wokismo matou o ensino português”, publicado em julho, expliquei como é moldado o ensino em Portugal. Nessa altura, abordei um pouco a tal “inclusão” que, na prática, é apenas uma desculpa para inserir nos programas educativos uma imensa doutrinação do chamado “wokismo”. Com isso, acho relevante explicar que nem todos os estudantes são completamente incluídos no ensino, e que muitas vezes são prejudicados, sobretudo, os alunos com a Perturbação do Espectro do Autismo (PEA), sobre os quais irei comentar de seguida.
Ao longo das últimas décadas, o número de alunos autistas nas escolas portuguesas aumentou de forma considerável, tanto que, segundo o Despacho Normativo n.º 10-A/2018, de 19 de junho, cada turma não pode incluir mais de 2 alunos em condições de necessidade de turma reduzida — um limite que, na prática, é frequentemente ultrapassado. Com isso, num ensino já fragilizado, no qual a aprendizagem já não está em primeiro plano, os alunos do espectro do autismo continuam a passar pelas mesmas dificuldades. Dificuldades essas que muitos com quem convivi, e não só, passaram, seja no ensino básico ou secundário.
Tendo em conta isso, passo a abordar, a meu ver, as principais dificuldades e problemas que esses mesmos alunos enfrentam diariamente no ensino português:
Primeiro ponto: O ambiente escolar
Dentro de todos os grupos que, na maioria dos casos, frequentam o ensino obrigatório (ou seja, no 1º ao 12ºano) são os autistas que mais enfrentam situações que envolvem o bullying e um enorme isolamento social. Isso acontece sobretudo na parte da comunicação e principalmente na interação social, pois a forma como o cérebro de um autista processa a informação e o ambiente ao seu redor influenciam bastante ao longo do seu percurso escolar, seja no hiperfoco em determinados assuntos, a dificuldade na mudança repentina na atenção ou sobrecarga devido ao ruído, por exemplo. Tudo isto cria problemas na criação de relações com os seus colegas em que, quando mal interpretadas, tornam estes alunos mais vulneráveis à exclusão, à discriminação e ao isolamento total.
Segundo ponto: A falta de apoio e de profissionalismo pedagógico
Na grande maioria dos casos existe uma imensa falta de preparação e de acompanhamento adequado por parte dos profissionais de educação. Por vezes os alunos são encarados ou vistos injustamente como “burros”, “incapazes” ou até mesmo como “analfabetos”, simplesmente por apresentarem dificuldades na oratória, na concentração ou mesmo na aprendizagem — rótulos que refletem a falta de compreensão sobre a questão da neurodivergência e que podem afetar negativamente o aluno ao longo dos seus estudos. No geral, acabam por confundir a forma distinta de aprender com falta de capacidade.
Terceiro ponto: A falta de adaptação do ambiente escolar
Muitas das vezes as escolas não estão nem um pouco preparadas para lidar com as necessidades especiais dos alunos autistas, mais precisamente no que toca às mudanças de rotina. Coisas como alterações inesperadas nos horários, sala, professores ou atividades podem causar desorientação, ansiedade e uma desgastante sobrecarga. Além disso, junta-se a inexistência de espaços adequados nos quais os alunos possam efetuar uma recuperação da acumulação dos estímulos. Esta falta de condições dificulta tanto a aprendizagem como a permanência no ambiente escolar.
É precisamente essa desordem de prioridades que trai o discurso da inclusão: multiplicam-se workshops de sensibilização e cartazes sobre identidade de género, enquanto faltam profissionais de educação especial, salas adequadas e formação obrigatória para a compreensão da neurodivergência. Enquanto estamos a debater pautas identitárias e cartazes de falsa inovação para satisfazer as metas de uma minoria política deste país, a verdadeira exclusão permanece nas nossas escolas.