Jovens desesperados e à espera de uma oportunidade!
Se há uma constatação que é clara e inegável é que Portugal está a falhar com os seus jovens. Aliás, quando olho para o país, vejo uma geração que estudou, que se preparou, que quer trabalhar e que procura conquistar a sua independência, mas que encontra cada vez mais dificuldades para construir uma vida digna na terra que é sua, por direito, e onde nasceu. Para demasiados jovens, aquilo que deveria ser o início de uma vida adulta com esperança, entusiasmo, dinamismo e sonhos para concretizar transformou-se numa sucessão de obstáculos, hesitações, adiamentos e dificuldades.
A juntar à dificuldade em encontrar emprego digno, junta-se a realidade de que muitos vivem com salários baixos, empregos precários e rendas incomportáveis. Mesmo trabalhando todos os dias, fazendo sacrifícios e tentando poupar, não conseguem sair de casa dos pais, comprar uma habitação ou constituir família. Assim, adiam decisões importantes porque simplesmente não têm condições para as tomar – e isto não acontece por falta de esforço, de vontade ou de ambição. Acontece porque Portugal, forte na retórica e nas promessas, esqueceu-se de, nos atos, oferecer oportunidades reais a muitos daqueles que querem cá ficar e construir o seu futuro.
Pessoalmente, acredito que o Estado cobra demasiado a quem trabalha e continua a criar obstruções a quem pretende abrir uma empresa, investir ou gerar emprego. É necessário reduzir os impostos e a burocracia, valorizar o mérito e apoiar verdadeiramente as empresas que criam riqueza e oportunidades, pois trabalhar mais, arriscar e querer progredir não podem aspectos da vida que, em vez de estimulados, são vergonhosamente penalizados.
Também me preocupa profundamente ver tantos jovens qualificados obrigados a emigrar para conseguir, além-fronteiras, aquilo que Portugal não lhes consegue oferecer. Irónica e tragicamente, o país investe durante anos na sua formação, mas, logo a seguir, não lhes dá salários, estabilidade ou perspetivas que lhes permitam permanecer junto das suas famílias e construir aqui o seu caminho. Cada jovem que parte representa talento, conhecimento e capacidade que Portugal perde, muitas vezes para sempre.
E que fique muito claro que os jovens não querem viver de subsídios, nem passar a vida dependentes do Estado. Apenas não querem discursos bonitos ou promessas repetidas a cada eleição. Querem trabalhar, ser valorizados pelo que fazem, ter condições para conquistar a sua independência e construir o seu futuro com dignidade.
Por isso, defendo um Portugal onde um jovem possa olhar para o futuro sem sentir que a única solução é fazer as malas e partir. Um país onde o esforço seja recompensado, o trabalho respeitado, o mérito reconhecido e onde os portugueses tenham prioridade na construção do futuro da sua própria terra. Um Portugal que seja, também, para os jovens portugueses. Tão simples quanto isso.