CHEGA critica apoios à vinha e falta de água no Estreito de Câmara de Lobos
O líder do CHEGA-Madeira, Hugo Nunes, defende um reforço dos apoios aos viticultores e a criação de um seguro agrícola regional, apontando também a falta de água para rega como um dos principais problemas que afetam atualmente a produção no Estreito de Câmara de Lobos.
As declarações foram prestadas esta manhã, no seguimento de uma visita a viticultores e à Festa das Vindimas, onde o dirigente criticou a política agrícola do Governo Regional e defendeu medidas para garantir maior rendimento e estabilidade a quem trabalha na vinha.
Hugo Nunes considera que a celebração das vindimas não pode esconder as dificuldades enfrentadas pelos produtores durante o resto do ano, nomeadamente os elevados custos de produção e a “extrema penosidade” do trabalho em terrenos de pequena dimensão e inclinados, onde a mecanização é limitada.
O líder do CHEGA-Madeira defende, neste sentido, uma revisão em alta dos apoios públicos pagos por quilo de uva e que os pagamentos sejam feitos “com rapidez e sem atrasos” aos produtores.
A continuidade da atividade agrícola é outra das preocupações apontadas pelo partido, que considera necessários incentivos fiscais e apoios à sucessão familiar para evitar o abandono da vinha tradicional.
A falta de água para rega foi igualmente apontada como um problema no Estreito e em Câmara de Lobos. Hugo Nunes acusa o Governo Regional e a ARM de anunciarem investimentos, incluindo através de fundos do PRR, sem que estes tenham resolvido os problemas de abastecimento nos poios, sobretudo durante o verão.
O CHEGA-Madeira defende, por isso, investimentos na impermeabilização de levadas tradicionais, na criação de reservatórios em altitude e numa gestão mais transparente e monitorizada das perdas de água.
Hugo Nunes considera ainda necessária a criação de um mecanismo regional de seguro agrícola com comparticipação pública, de forma a proteger os produtores perante situações que possam comprometer as colheitas.
“Defender a agricultura regional não é fazer discursos bonitos em palcos de festa; é garantir água no poio, preço justo no cesto e seguro no momento da tempestade”, afirmou.
Para o líder do CHEGA-Madeira, a agricultura deve ser valorizada como “motor económico real” e enquanto componente da soberania alimentar da Região, e não apenas como elemento associado às festas e à promoção turística.