CHEGA diz que o sector da Protecção Civil Regional não precisa de "medalhas", mas de condições operacionais condignas e meios humanos valorizados
O CHEGA Madeira, solicitou uma reunião de trabalho e recebeu na manhã de hoje o Sindicato Nacional da Protecção Civil (SNPC) que se fez representar pelo seu Secretáriogeral Adjunto, Filipe Tavares, e pelo Secretário Nacional, Rúben Jardim.
No referido encontro foram discutidas matérias cruciais para a segurança da Região, com particular destaque para o estado geral do sector, o socorro e resgate em montanha, a justa equiparação dos bombeiros profissionais aos sapadores e a gestão dos meios aéreos.
Durante a reunião, o CHEGA Madeira registou com extrema preocupação o diagnóstico apresentado pelos representantes sindicais sobre a degradação das condições laborais e operacionais:
Desgaste extremo
Os bombeiros enfrentam uma sobrecarga inaceitável, com esquemas de escala que deixam os operacionais com apenas, cerca de, 5 folgas por mês, tornando quase impossível a conciliação profissional com a vida familiar. A isto soma-se, no caso do voluntariado o atraso crónico no subsídio de turnos e valores nocturnos irrisórios que, perante os custos actuais de combustível e alimentação assumidos do próprio bolso, representam prejuízo real para quem vai socorrer a população.
Corpos operacionais no limite
Todas as corporações da Região operam no limiar dos serviços mínimos. O CHEGA Madeira considera imperativo um reforço de pelo menos 50% dos efectivos operacionais para assegurar uma escala de prevenção e socorro contínuo de 24 horas verdadeiramente funcional e sem esgotamento das equipas.
Falta de transparência e desvio de prioridades
É denunciada a falta de clareza na gestão financeira de diversas corporações e associações, onde verbas originalmente destinadas ao reforço operacional e ao apoio aos bombeiros e voluntários acabam absorvidas pelas despesas da estrutura administrativa, descurando o terreno.
Voluntariado desincentivado e 600 horas de "trabalho camuflado"
Falta uma estratégia eficaz de atracção e retenção de voluntários. Pior ainda: foi denunciado o sistema de avaliação de desempenho que impõe aos profissionais o cumprimento de 600 horas anuais de "voluntariado" para poderem obter uma menção de desempenho de «Adequado». Na prática, estas horas funcionam como trabalho extraordinário forçado e camuflado, mascarando a escassez de recursos humanos à custa do sacrifício pessoal dos profissionais.
Horários de Trabalho
Os horários de trabalho, nas diversas corporações de Bombeiros, não são negociados, são impostos pelas chefias, descurando e menosprezando os operacionais que não são tidos nem achados, com claro prejuízo para estes.
Perseguição sindical
O CHEGA condena veementemente a falta de diálogo e o desrespeito demonstrado face às representações sindicais, repudiando qualquer clima de pressão, penalização ou perseguição disciplinar sobre os operacionais que exercem os seus direitos de filiação e intervenção sindical.
“O CHEGA-Madeira continuará a lutar e exigir, quer junto do Governo Regional quer no Parlamento, que a Protecção Civil deixe de ser tratada com actos de propaganda ou condecorações de ocasião e passe a contar com meios humanos adequados, transparência na gestão dos dinheiros públicos e remunerações justas para quem arrisca a vida pelos madeirenses”, refere Hugo Nunes.
O CHEGA-Madeira, salienta ainda, que através do seu Grupo Parlamentar na ALRAM, e nos próximos dias, dará entrada de diversas iniciativas legislativas, tendo por vista o melhoramento do sector, mas acima de tudo em prol dos operacionais do sector.