CHEGA quer pesca tradicional do peixe-espada preto reconhecida como Património Cultural Imaterial

CHEGA quer pesca tradicional do peixe-espada preto reconhecida como Património Cultural Imaterial

O grupo parlamentar do CHEGA na Assembleia da República quer que os saberes e práticas tradicionais associados à pesca do peixe-espada preto da Madeira sejam inscritos no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, tendo apresentado um projeto que recomenda ao governo da República a promoção do processo de reconhecimento e salvaguarda.


Segundo Francisco Gomes, deputado madeirense do CHEGA, a iniciativa procura preservar uma tradição profundamente ligada à história marítima da Madeira. A captura do peixe-espada-preto encontra-se documentada na Região, pelo menos, desde o século XIX, constituindo uma das mais antigas pescarias dirigidas a espécies de profundidade.


«O peixe-espada preto não é apenas um produto da nossa economia. Por detrás, existem gerações de homens que enfrentaram o Atlântico e comunidades cuja história foi construída em torno desta pesca, criando memória, identidade e cultura madeirense.» (Francisco Gomes, deputado na Assembleia da República)


O projeto destaca particularmente a ligação desta tradição a Câmara de Lobos, cuja história económica e social está profundamente associada à pesca. O património que o CHEGA pretende preservar compreende conhecimentos, vocabulário, técnicas, instrumentos, experiências e formas de relacionamento com o mar transmitidos entre sucessivas gerações.


«Durante demasiado tempo olhámos para os nossos pescadores apenas pelo valor económico daquilo que trazem do mar, o que é um erro enorme, pois eles são também guardiões de conhecimento. Se deixarmos desaparecer esses saberes sem os recolher e preservar, perdemos para sempre uma parte insubstituível da história da Madeira.» (Francisco Gomes, deputado na Assembleia da República)


O CHEGA recomenda que o processo seja desenvolvido em estreita articulação com pescadores e antigos pescadores, famílias, comunidades piscatórias, associações do setor e instituições científicas e culturais. A iniciativa prevê a recolha da memória oral, técnicas, instrumentos e documentação histórica, bem como medidas destinadas ao estudo, divulgação e transmissão deste património às novas gerações.


Francisco Gomes considera que existe também uma questão de urgência, uma vez que parte significativa destes conhecimentos permanece na memória das gerações mais antigas de pescadores e nunca foi devidamente documentada.


«Esta iniciativa é uma homenagem aos pescadores da Madeira e àquilo que nos deixaram. Portugal deve reconhecer aquilo que os madeirenses sabem há muito tempo, que é que a pesca do peixe-espada-preto é muito mais do que uma atividade económica, mas património,  cultura e identidade madeirense.» (Francisco Gomes, deputado na Assembleia da República)