CHEGA acusa governo de má-fé e de falta de humanismo para com os lesados do BES

CHEGA acusa governo de má-fé e de falta de humanismo para com os lesados do BES

O deputado do CHEGA, Francisco Gomes, acusou o governo de Luís Montenegro de atuar com má-fé e de não ter vontade política para resolver definitivamente a situação dos lesados do papel comercial do BES. As declarações foram proferidas ontem, durante uma audição ao ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, realizada na Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República, a pedido do CHEGA.


Num frente a frente particularmente duro com o ministro, o deputado considerou incompreensível que o governo continue a adiar uma solução para um problema que, segundo afirmou, exige apenas uma fração mínima dos recursos entretanto gerados com a venda do Novo Banco.


Francisco Gomes recordou que o Novo Banco, instituição criada em 2014 na sequência da resolução do Banco Espírito Santo (BES), foi vendido ao grupo bancário francês BPCE (Banque Populaire Caisse d'Épargne) por cerca de 6,7 mil milhões de euros.


Segundo o parlamentar, a resolução definitiva da situação dos lesados do papel comercial exigiria cerca de 46 milhões de euros, o que representa menos de 0,07% do valor da venda, equivalente, nas suas palavras, a "cerca de um euro por cada 1.500 euros obtidos pelo Estado".


«O governo diz que não há dinheiro, mas acabou de assistir à venda do Novo Banco por milhares de milhões de euros. Resolver o problema dos lesados custa menos de 0,07% desse valor. Isto já não é uma questão financeira. E uma questão de decência.» (Francisco Gomes, deputado na Assembleia da República)


Durante a audição, o deputado recordou ainda que cerca de 150 lesados já faleceram sem verem o seu problema resolvido, considerando que cada novo adiamento representa uma profunda injustiça para quem perdeu as poupanças de uma vida.


«Há portugueses que morreram à espera de justiça. Um Estado que permite isto não pode apresentar-se como reformista nem humanista. É um Estado que falhou no seu dever mais básico de proteger os seus cidadãos.» (Francisco Gomes, deputado na Assembleia da República)


Francisco Gomes acusou ainda o executivo de Luís Montenegro e o ministro Joaquim Miranda Sarmento de utilizarem um discurso político que, na sua opinião, não corresponde às decisões que tomam.


«Este governo gosta de se apresentar como reformista e humanista, mas aquilo que os lesados encontram é um governo sem soluções, sem coragem e sem humanidade para resolver um problema que se arrasta há demasiado tempo.» (Francisco Gomes, deputado na Assembleia da República)


O deputado garantiu que o CHEGA continuará a exigir uma solução definitiva para os lesados do papel comercial do BES, defendendo que o Estado não pode continuar a ignorar pessoas que perderam as suas poupanças e aguardam há mais de uma década por justiça.


«O CHEGA não desistirá enquanto esta injustiça não for reparada. O Estado tem condições para resolver este problema; o que lhe falta é vontade política para fazer aquilo que é moralmente devido.» (Francisco Gomes, deputado na Assembleia da República)